Torre Eiffel: Mulheres Excluídas em Visita de Grupo Hindu Geram Investigação e Greve em Paris
Paris investiga exclusão de funcionárias durante visita de grupo hindu à Torre Eiffel, gerando greve e críticas
Um incidente incomum na icônica Torre Eiffel, em Paris, acendeu um debate sobre discriminação e respeito no ambiente de trabalho. Funcionárias do monumento teriam sido instruídas a se ausentar de seus postos durante uma visita privada de um grupo religioso hindu, gerando revolta e uma paralisação temporária da atração turística.
O caso, que ocorreu no último sábado (5), envolveu uma delegação de aproximadamente 100 pessoas do grupo religioso Bochasanwasi Akshar Purushottam Swaminarayan Sanstha (BAPS). Segundo relatos de representantes sindicais, as mulheres foram solicitadas a deixar suas funções para que homens pudessem ocupar seus lugares, uma medida que chocou os trabalhadores e desencadeou a greve.
A Sociedade de Exploração da Torre Eiffel (Sete), responsável pela administração do monumento, já pediu desculpas à equipe e iniciou uma investigação. O caso também atraiu a atenção de autoridades políticas francesas, que exigem esclarecimentos urgentes sobre os fatos ocorridos. Conforme informações divulgadas, o monumento reabriu nesta terça-feira (8) após o fechamento na segunda (7) devido à greve.
Funcionárias afastadas e substituídas: o relato do sindicato
O sindicato CGT denunciou que as funcionárias da Torre Eiffel foram “afastadas, substituídas e invisibilizadas devido ao seu sexo”. De acordo com o comunicado do sindicato, algumas mulheres foram orientadas a se retirar para salas reservadas, enquanto em outros postos, foram substituídas por homens. Todas as funcionárias foram instruídas a evitar determinadas áreas durante a presença da delegação hindu.
Diane Davoine, representante sindical, relatou à Reuters que “Enquanto a delegação passava, as mulheres foram solicitadas a deixar seus postos de trabalho para que os homens pudessem ocupar seus lugares”. Essa situação gerou um clima de tensão e insatisfação entre os funcionários, que decidiram se reunir para buscar um diálogo com a administração e evitar que tais episódios se repitam.
Greve e fechamento temporário da Torre Eiffel
A revolta dos trabalhadores culminou em uma greve que levou ao fechamento da Torre Eiffel na noite de segunda-feira (7). Uma placa afixada na base do monumento informava que o local estava fechado por “motivos operacionais”. Os funcionários buscavam, através dessa ação, garantir que as mulheres nunca mais fossem tratadas de forma discriminatória no local de trabalho.
A administração da Sete reconheceu que a delegação hindu havia solicitado que a visita fosse organizada com a “limitação das interações com as mulheres”. A empresa admitiu que “não deveria ter aceitado o pedido”, pedindo desculpas pelo ocorrido e garantindo que medidas serão tomadas para apurar responsabilidades.
Investigação oficial e críticas políticas
O prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, anunciou que uma investigação será iniciada “o mais rápido possível” para esclarecer todos os fatos que levaram ao protesto. Ele classificou a insatisfação dos funcionários como legítima e ressaltou a urgência em apurar o caso. A situação gerou críticas de diversos políticos franceses, que condenaram o ocorrido e exigiram um posicionamento firme das autoridades.
Em comunicado, o grupo BAPS informou que a visita à Torre Eiffel foi agendada no início do horário de funcionamento para evitar transtornos aos demais visitantes, devido ao tamanho de sua delegação. “Pelo que sabemos, em nenhum momento alguém foi impedido de acessar a Torre Eiffel. No entanto, pedimos sinceras desculpas por qualquer transtorno ou incômodo causado”, declarou o grupo, que estava na França para as comemorações de inauguração de um templo hindu nos subúrbios de Paris.
