Caparaó: Turismo e Café se Unem em Nova Experiência para Impulsionar o Sul do ES Após Reforma Tributária
Caparaó Capixaba Investe em Turismo de Café para Fortalecer Economia Local e Enfrentar Desafios da Reforma Tributária
A região do Caparaó capixaba, conhecida por seus cafés especiais, belezas naturais e o imponente Pico da Bandeira, ganha um novo atrativo que une o sabor autêntico do grão à cultura e à paisagem local. O projeto “Experiência com cafés de origem Caparaó” foi lançado no início deste ano com o objetivo de transformar a cafeicultura em um produto turístico completo, explorando todas as etapas da produção e oferecendo vivências únicas aos visitantes.
Este roteiro inovador engloba dez empreendimentos em municípios como Divino de São Lourenço, Dores do Rio Preto, Ibitirama, Irupi e Iúna. A iniciativa visa diversificar a renda no campo, atrair mais turistas e, crucialmente, minimizar os impactos da recente reforma tributária, que altera a forma de arrecadação de impostos.
A proposta, desenvolvida com o apoio do Sebrae/ES, busca ir além do ecoturismo tradicional, oferecendo aos visitantes a oportunidade de conhecer de perto o processo do café, desde a lavoura até a xícara. Conforme explica Leonardo Ferreira, analista do Sebrae/ES, o objetivo é criar um “cardápio” de experiências que aumente o tempo de permanência dos turistas na região, promovendo assim o desenvolvimento local.
Do Grão à Xícara: Vivências Autênticas no Coração do Caparaó
Os empreendimentos participantes oferecem uma gama variada de atividades. Em alguns locais, os turistas podem desfrutar de degustações guiadas de cafés especiais, aprendendo a identificar as nuances de sabor e aroma. Em outros, a experiência se aprofunda com passeios pelas lavouras, acompanhando a colheita, a secagem e a moagem dos grãos. O projeto, que segue o slogan “do pé à xícara”, valoriza o conhecimento transmitido por gerações de cafeicultores.
Um exemplo notável é o “Café do Sol Nascente”, em Iúna, onde a família Prottes preserva um casarão centenário, que já foi moradia de seu bisavô. Ali, os visitantes são recebidos com um autêntico café colonial, recheado de produtos caseiros e histórias. Deisy Prottes, que gerencia o negócio, relata como a parceria com o Sebrae foi fundamental para estruturar a iniciativa, transformando a paixão familiar pelo café em um atrativo turístico.
A turista Simone Brasileiro, que visitou a região, descreveu a experiência como acolhedora e afetiva, comparando o ambiente a um “café de vó”, onde se sente segura e à vontade. Essa conexão emocional com o local é um dos pilares do projeto, que busca oferecer mais do que um simples passeio, mas uma imersão na cultura cafeeira do Caparaó.
Reforma Tributária Impulsiona Turismo de Experiência no Sul do ES
A reforma tributária, que substitui impostos como ICMS e ISS por novos tributos como a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), tem levado os municípios a buscarem alternativas para garantir a arrecadação. A cobrança do imposto no local de consumo, e não mais na produção, pode impactar a receita de algumas cidades.
Nesse contexto, o turismo se apresenta como uma estratégia eficaz. Ao atrair visitantes e fomentar o consumo local, os municípios do Caparaó visam aumentar sua receita, tornando-se menos dependentes da produção original de bens e serviços. Denise Maria Silvério, da Secretaria de Cultura e Turismo de Dores do Rio Preto, destaca a importância do turismo para o desenvolvimento da região, gerando renda e melhorias na infraestrutura.
A Secretaria de Cultura e Turismo de Dores do Rio Preto, Denise Maria Silvério, afirma que a medida agrega muito valor aos cafés especiais e à região, e que, com o tempo, vai promover melhorias para a própria população. “Para nós, é de extrema importância que cada vez mais o turismo cresça e a população abrace essa causa para fazer crescer o consumo local, gerar renda, gerar receita e gerar melhorias no município também. Porque, com isso, a gente vai melhorando as estradas, melhorando os acessos, melhorando a parte visual e turística do município.”
Valorização do Produtor e Aprendizado Mútuo no Roteiro do Café
O projeto “Experiência com cafés de origem Caparaó” também foca na valorização do produtor rural. Leôncio de Sousa Aguiar, do “Café Cantinho da Floresta” em Divino de São Lourenço, ressalta que a iniciativa não só agrega valor ao produto, mas também promove aprendizado. Sua família cultiva café há mais de um século e planeja abrir uma cafeteria para oferecer uma experiência completa, desde a lavoura até a degustação.
O subsecretário de Turismo de Irupi e barista, Weuller de Souza, complementa que as degustações guiadas levam informações valiosas sobre o café especial do Caparaó, destacando o slogan “naturalmente doce, sensorialmente diverso”. Ele enfatiza que o roteiro consolida a região como um destino turístico importante e valoriza o esforço das famílias produtoras.
Além de atrair turistas, o projeto promove um intercâmbio de conhecimentos. Os produtores foram capacitados em turismo de experiência, aprendendo a transformar os atributos de suas propriedades em atrativos únicos. Pedro Alves da Silva, do Sítio Bela Vista em Ibitirama, acredita que a experiência de ver de perto como o café é produzido aumenta o interesse e a valorização do produto final pelo consumidor.
Um Portfólio de Experiências para Todos os Gostos
O roteiro “Experiência com cafés de origem Caparaó” oferece diversas opções para explorar a riqueza cafeeira da região:
Café colonial Rota das Garças, em Dores do Rio Preto, com produtos caseiros e vivência no campo.
Villa Januária e Sítio Menina, em Pedra Menina, Dores do Rio Preto, com degustações guiadas em paisagens deslumbrantes.
Café Cantinho da Floresta, Sítio Campo Azul e Café Relíquia, em Divino de São Lourenço, oferecendo imersão no ciclo do café, torra artesanal e degustações de cafés premiados.
Sítio Bela Vista, em Ibitirama, com experiências do ciclo do café e harmonizações.
Vale Encantado, em Irupi, com harmonização de cafés e contação de histórias locais.
Café Sol Nascente e Café do Príncipe, em Iúna, com cafés coloniais, receitas tradicionais e vivências sobre torra e sustentabilidade.
