Passagem Aérea Vai Subir? Petrobras Aumenta Querosene e Especialistas Alertam: Compre Agora!
Comprar passagem aérea agora ou esperar? Especialistas recomendam antecipação diante de reajuste no querosene de aviação.
O planejamento de viagens aéreas pode precisar de uma revisão. Um recente reajuste de 55% no preço do querosene de aviação (QAV) anunciado pela Petrobras levanta preocupações sobre o impacto nas tarifas dos voos nos próximos meses. Especialistas no setor aéreo avaliam que a tendência é de alta nos preços, sugerindo que a compra antecipada de passagens seja a melhor estratégia.
A instabilidade geopolítica global, com a ofensiva americana e israelense contra o Irã, já gerava expectativas de aumento nos combustíveis. No caso do querosene de aviação, que depende parcialmente de petróleo importado, esse impacto pode se refletir nos preços para os passageiros em até três meses, conforme análise de Viviane Falcão, professora de Economia dos Transportes Aéreos da UFPE.
“Se eu pudesse dar um conselho neste momento, seria para comprar a passagem o quanto antes”, afirma Falcão. Ela explica que, embora as companhias aéreas fechem contratos de combustível com antecedência, a chegada das férias e o segundo semestre, períodos de maior demanda e preços mais elevados, podem acelerar o repasse do aumento. A notícia foi divulgada pela Petrobras nesta quarta-feira, 1º de abril, e já segue uma tendência de alta observada em março, quando o combustível subiu 9,4%.
Impacto direto nos preços das passagens aéreas
A projeção de Viviane Falcão é de uma alta de 15% a 20% nas passagens aéreas nos próximos meses, apenas refletindo o aumento do barril de petróleo. O querosene de aviação representa cerca de um terço dos gastos operacionais das companhias aéreas. Com os reajustes recentes, a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) prevê que o combustível passe a responder por aproximadamente 45% desses custos.
Adriano Pires, economista e diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), compartilha da mesma expectativa de aumento de até 20%. Ele ressalta que o Brasil não está isolado das conjunturas globais e que os consumidores precisarão se adaptar a essa nova realidade de custos. A alta do combustível pode, inclusive, levar as companhias aéreas a reduzir o número de voos, uma tendência já observada internacionalmente.
Pires compara o cenário atual com a pandemia de Covid-19, explicando que o custo de reposição do combustível será repassado para as passagens aéreas, embora as companhias tentem absorver parte desse impacto. Com a retomada do volume de passageiros pré-pandemia e um número reduzido de aeronaves em operação, espera-se que os voos fiquem ainda mais lotados, com uma ocupação média de 90% dos assentos, segundo Falcão.
O que impulsiona o aumento do querosene de aviação?
O preço do querosene de aviação está diretamente ligado à valorização do petróleo, que tem sido impulsionada pelo fechamento do Estreito de Ormuz em decorrência da guerra no Irã. Apesar de o Brasil produzir cerca de 80% do QAV consumido internamente, o preço acompanha o mercado internacional.
Adriano Pires destaca que a atual crise geopolítica causa uma disrupção na oferta de gás e petróleo que não foi vista em momentos anteriores, resultando em uma falta de “sobra de oferta”. O querosene, assim como outros derivados do petróleo, é uma commodity, e seu preço reflete o mercado global. Regiões como Europa, Estados Unidos, China, Japão e Coreia do Sul já vinham experimentando aumentos nos preços dessas commodities.
Medidas e alternativas para mitigar o impacto
Em resposta à situação, a Petrobras anunciou condições de pagamento especiais para as distribuidoras de combustível da aviação comercial. A proposta inicial é que as distribuidoras comprem o QAV com um aumento de apenas 18% e parcelem o restante em até seis vezes, a partir de julho de 2026. Essa medida pode diluir o impacto imediato nas passagens aéreas.
No entanto, Viviane Falcão expressa preocupação com a viabilidade dessa estratégia a longo prazo, pois a Petrobras pode não conseguir sustentar o repasse gradual do aumento. A sustentabilidade dependerá da conjuntura geopolítica internacional, que permanece incerta.
O Ministério de Portos e Aeroportos propôs ao Ministério da Fazenda ações para aliviar a pressão sobre o setor aéreo. Entre as sugestões estão a redução temporária de tributos sobre o querosene de aviação, a diminuição do IOF para operações financeiras das companhias aéreas e a queda do Imposto de Renda sobre leasing de aeronaves. Há também a análise da criação de uma linha de financiamento temporária para a compra de combustível através do Fundo Nacional da Aviação Civil (Fnac).
Para Pires, voar de avião é um serviço essencial no Brasil, sem substitutos viáveis como trens de longa distância. A condição das estradas e a dependência do transporte fluvial em regiões como o Norte reforçam essa importância. O resultado, segundo Falcão, é que a população acaba “pagando o preço por décadas de negligência com o transporte aéreo por parte do Estado”.
