Guerra no Oriente Médio pode disparar preços de passagens aéreas: Ministro espanhol alerta e recomenda “Comprem agora”
Alerta de ministro espanhol: Guerra no Oriente Médio pode causar alta em passagens aéreas e cancelamentos, recomendando compra antecipada.
O conflito no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos e Irã, acende um alerta preocupante para o setor de turismo global. Jordi Hereu, ministro da Indústria e Turismo da Espanha, quebrou o silêncio e emitiu um aviso incomum à população: antecipar a compra de passagens aéreas. A recomendação se baseia no risco concreto de um aumento abrupto nas tarifas, impulsionado pela escalada nos preços do petróleo e do querosene de aviação.
Essa advertência, feita em entrevista ao jornal econômico Expansion, traz à tona uma preocupação que vinha sendo tratada de forma técnica ou evitada por governos e companhias aéreas. A possibilidade de alta meteórica no custo do combustível pode resultar em um encarecimento generalizado das passagens, especialmente com a chegada do verão no hemisfério norte. O impacto pode ser sentido em voos de média e longa distância, afetando a disposição dos consumidores em viajar.
A situação é vista com seriedade pelas autoridades. O ministro espanhol destacou que medidas estão sendo tomadas em níveis espanhol e europeu para evitar uma escassez de combustível, indicando que o problema já é tratado como estrutural. Conforme informação divulgada pela organização europeia Transport & Environment, a alta recente do petróleo já adicionou mais de US$ 100 ao custo de voos de longa distância originados na Europa. Esse valor tende a ser repassado ao consumidor final, potencializando uma espiral de reajustes em plena temporada alta.
Companhias aéreas já sentem o impacto e planejam cortes
A Transavia, companhia de baixo custo do grupo Air France-KLM, já confirmou que precisará ajustar sua malha aérea em maio e junho. Diante da disparada do preço do querosene de aviação, consequência direta da guerra no Oriente Médio, a empresa informou que será obrigada a cancelar parte dos voos previstos para esses meses. Embora representem menos de 2% da programação total, os cancelamentos já estão sendo comunicados individualmente aos clientes afetados, com opções de remarcação, crédito ou reembolso integral.
Um porta-voz da Transavia declarou à AFP que, devido ao contexto geopolítico e suas repercussões no preço do combustível, a companhia está adaptando sua programação. A notícia foi divulgada pela rádio RMC, confirmando a necessidade de proceder com o cancelamento de voos. A empresa busca otimizar custos diante da instabilidade do mercado de combustíveis, um reflexo direto da tensão internacional.
Ryanair alerta para risco de escassez e aumento de preços em junho
Michael O’Leary, diretor-executivo da Ryanair, expressou preocupação com a possibilidade de escassez de querosene em junho na Europa. Ele associou diretamente os preços elevados à condução do conflito no Oriente Médio. Segundo O’Leary, de 10% a 20% do abastecimento da Ryanair está em risco, com o Reino Unido sendo o país mais exposto a cancelamentos devido à dependência de fornecimento de regiões diretamente impactadas pelo bloqueio do Estreito de Ormuz.
A incerteza sobre o fornecimento de combustível para junho é um ponto crítico. As próprias petroleiras admitem dificuldades em garantir o abastecimento para esse período. A Europa, que importa cerca de metade de seu querosene dos países do Golfo, vê sua dependência se tornar um ponto nevrálgico diante do bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passa aproximadamente 20% da produção mundial de hidrocarbonetos, essencial para a aviação civil.
União Europeia se aproxima de crise de abastecimento, alerta comissário
Em Bruxelas, o comissário europeu Dan Jorgensen reconheceu que a União Europeia está se aproximando “muito rapidamente” de uma potencial crise de abastecimento. O risco de um verão marcado por passagens aéreas mais caras e cancelamentos de voos é concreto. Embora a França, por ora, não enfrente dificuldades imediatas, o governo admitiu a possibilidade de liberar estoques estratégicos se problemas de volume surgirem, como declarou a porta-voz Maud Bregeon em 19 de abril.
A situação demonstra a fragilidade da cadeia de suprimentos de combustível de aviação diante de conflitos geopolíticos. Companhias aéreas que antes absorviam parte do impacto com contratos de compra antecipada de combustível agora veem esse amortecedor com prazo de validade. O cenário, que parecia teórico, agora se materializa em ações concretas, impactando diretamente o bolso do consumidor e a operação do setor aéreo global.
