Copa nos EUA: Visto, transporte e ingressos caríssimos revoltam torcedores brasileiros e mundiais
Copa nos EUA: Visto, transporte e ingressos caríssimos revoltam torcedores brasileiros e mundiais
A Copa do Mundo de 2026, sediada nos Estados Unidos, México e Canadá, está se tornando um pesadelo financeiro para muitos torcedores. O que antes era um sonho acessível, agora se apresenta como um desafio orçamentário quase intransponível, gerando revolta e desistências em massa.
Desde os custos para obtenção de vistos até o preço do transporte público, passando pelos ingressos que chegam a valores astronômicos, a experiência de acompanhar o Mundial está cada vez mais distante da realidade da maioria. A Fifa tem sido duramente criticada por essas práticas.
Embora a proximidade geográfica com o Brasil em relação a sedes anteriores como Catar e Rússia possa parecer uma vantagem, a conta final para assistir aos jogos se mostra ainda mais salgada. Conforme informações divulgadas, o planejamento para a viagem se tornou extremamente difícil, com muitos optando por não comparecer.
Custos elevados de transporte público chocam torcedores
Uma das grandes surpresas negativas para os torcedores é o custo do transporte público para os estádios. Diferente das Copas de 2022 e 2018, quando o deslocamento para os jogos era gratuito, em 2026 os gastos serão consideráveis. Em Boston, por exemplo, o trajeto de trem para o Estádio Gillette, em Foxborough, pode custar cerca de US$ 80 (aproximadamente R$ 400), um valor quase dez vezes maior que o normal. Já o ônibus Express, exclusivo para portadores de ingressos, chega a US$ 95 (R$ 475).
Em Nova York, a situação não é diferente. A viagem de ida e volta de Manhattan ao MetLife Stadium, em East Rutherford, custará US$ 100 (R$ 500). Fernanda Zaguis, consultora do Movimento Verde e Amarelo, relata a insatisfação geral: “Está todo mundo revoltado. Acho que vai ser até mais caro do que no Catar, que era um país caro, mas a gente não tinha que ficar mudando de lugar. Não tinha voos internos e economizamos nisso”, afirma.
Ingressos com preços exorbitantes e gorjetas que pesam no bolso
Os ingressos para a Copa de 2026 são outro ponto de grande polêmica. A partida final, marcada para 19 de julho, tem ingressos que partem de US$ 11 mil (R$ 54 mil) na plataforma oficial da Fifa, podendo alcançar impressionantes US$ 2,3 milhões (R$ 11,5 milhões) para os mais exclusivos. Essa política de preços dinâmicos, segundo Pim Verschuuren, especialista em gestão do esporte, visa aumentar os lucros da entidade.
Além disso, os torcedores precisam arcar com despesas como hospedagem, alimentação e a tradicional gorjeta nos Estados Unidos, que pode chegar a 20% do valor do serviço. Para famílias ou grupos, o custo se torna proibitivo. “Quando é uma pessoa sozinha, ela se vira, vai no amor e fica no sofá de alguém. Mas quando é para quatro pessoas, a gente viu que muita gente não vai conseguir ir porque o custo aumentou muito”, explica Zaguis.
Dificuldades com vistos e a ameaça de greve em Los Angeles
A entrada nos Estados Unidos também se tornou uma preocupação, especialmente para torcedores de países com maior escrutínio da polícia anti-imigração americana. Embora o Brasil não esteja na lista de 47 países com restrições mais severas, a obtenção do visto custa US$ 435 (R$ 2,1 mil), e muitos pedidos foram recusados. Essa situação gerou apreensão e pode afetar a participação de torcedores de diversas nações.
O receio de enfrentar problemas na imigração já gerou manifestações. O maior sindicato de trabalhadores de estádios de Los Angeles exige garantias de que todos os torcedores com ingressos poderão cruzar as fronteiras americanas, sob pena de greve durante as competições. Verschuuren aponta que esse modelo econômico da Fifa, onde as receitas vão para a entidade e os riscos ficam com os países-sede, está sendo desafiado.
